Percorre o tempo, os nervos, os ares,
A interminável cultura de guerra.
Avizinham-se os temores,
A devastação, seus horrores.
A paz chora breve
Um rio de sangue sobre a terra.
De que valem Hiroshima,
Os mortos da arma química?
Constrói-se um muro, aviltam-se paixões.
Criam-se monstros, separa-se o mundo.
A fragilidade da vida,
“A morte que nossa carne teme”,*
Sonho latente no concreto do berço:
São os silos da morte!
Novo século de uma mesma era.
Novo presidente, nova forma de guerra.
Os juros pagam a sofisticação das armas,
Mas quem nos paga pela ameaça constante?
Ainda rende dividendos a guerra do Golfo.
Após o Vietnã, Camboja, o Laos,
Estão craterados o solo afegão, suas montanhas.
O que vem depois do Nepal, Taiwan?
Outra vez Varsóvia3?A Amazônia?
Alguém descubra logo nas galáxias,
Vazão para a indústria beligerante.
Da guerra são vãs as convenções.
Da paz, as organizações e o discurso.
Ainda que se argumente, ainda que se estresse
,
É vão o protesto e o esforço.
São vãos o dinheiro e o desperdício.
São vãs a fome crescente e duas filosofias.
De que valem os incessamtes ataques a Israel,
Os desaparecidos da América Latina,
Os descartáveis da próxima guerra,
As incertezas da guerra fria,
Se o saldo de sempre
É o lucro do belicoso,
Os mortos da hipocrisia?
De que vale a ameaça mas democracias,
Se o que nos sobra
São tensões: a política sórdida,
o camuflado terrorismo: a vida contida,
E a beligerância?
De que valem Hiroshima,
Os mortos da arma química,
Milhares de vidas mutiladas
E milhares de vítimas;
A criança vietnamita, a pele queimada,
O horror, o verdadeiro horror
Em sua face estampado,
Os mortos da guerra cínica?
Aos meus amigos Ema Cieda e George Barros Leal e os pequenos Geórgia e Davi
*Jorge Luis Borges.
: Aos amigos Ema Cieda, George Barros Leal, David e Geórgia
Data: 23/12/2001
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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